sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Apagão no bom senso

Além do apagão no banco, o bom senso parece que não estava em alta na agência ontem de manhã. Como eu disse, são sete caixas eletrônicos, mas só um funcionava. E, claro, tinha uma fila diante dele. Aí a pessoa entra na agência, olha a fila, ignora, porque isso não é para gente como eu, e vai direto para o caixa vazio, que ela deve ter reservado com antecedência pelo "disque vaga no caixa eletrônico". Tipo caixa eletrônico VIP, para pessoas especiais, que não têm que enfrentar filas como os mortais. Para a sua decepção, o caixa estava estragado. Aí ela pensa que o VIP é o do lado e vai, toda serelepe. De novo, nada. Aí a ficha cai. A pessoa olha meio sem graça, dá um sorriso amarelo e pergunta para todo mundo e para ninguém ao mesmo tempo:

- Só esse aí está funcionando?
- Não, a gente está aqui porque, além de sacar o dinheiro, esse caixa faz massagem nos pés. É bom para relaxar do stress da fila, sabe? E, se você pedir com jeitinho, ele serve café e chocolate quente.

Não tenho paciência, não. O pior, é que não foi uma pessoa só.

Apagão no banco

Duas horas tentando pagar o seguro do carro. Foi ontem de manhã. Às 9h30, fui à agência para liquidar a fatura no caixa eletrônico, mas, dos sete equipamentos, só um funcionava. Tinha, claro, uma fila básica. Enfrentei a fila, mas a máquina não conseguiu ler o código de barras. A essa altura, já eram 9h45. Como faltavam só 15 minutos para a agência abrir, fiquei por ali esperando para pagar direto no caixa. Mas, quando o banco ia começar a funcionar, avisaram que estava tudo fora do ar. A única opção era aquele caixa herói da resistência, mas analfabeto em código de barras. Liguei para a seguradora para pegar os números do código (ele não estava no boleto). Demoraram 25 minutos para me responder. Voltei à agência. Mais uma filazinha básica de umas doze pessoas. Ufa, paguei! E o ministro ainda diz que o apagão é página virada.

A construção continua na minha porta

Como disse antes, a construção civil mudou-se de mala e cuia para a minha vizinhança (ok, e para a do Chorik também, como ele disse no comentário do post anterior), mas em BH, está nas minhas imediações mesmo. Pois hoje, além das marteladas, caminhões e peões, ganhei mais uma companhia. O caminhão de som do sindicato dos trabalhadores estacionou por aqui conclamando o povo a parar o trabalho contra a exploração do patrão. Contra o roubo do meu sossego, ninguém se movimenta.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O "boom" da construção é na minha porta

Eu sei, todo mundo sabe, a construção civil vive um ótimo momento, tem obras para todo lado e Minas Gerais está até "importando" mão de obra da Bahia para dar conta do recado. Mas, fala sério, o "boom" da construção tinha que ser justo da minha porta? No lote vizinho ao meu prédio tinha uma montanha de terra. Há uma semana, dezenas de caminhões se empenham em acabar com a montanha e isso inclui espalhar terra pela rua. Quando passa um ôniubs ou sopra um vento, a terra voa até em casa e eu não faço outra coisa a não ser passar pano no chão e nos móveis na vã tentativa de deixar tudo mais ou menos limpo.


Isso é o que ainda tem para tirar de terra da montanha.

Não bastasse, o vizinho do apartamento do lado resolveu derrubar uma parede e achou que sete horas da manhã era um bom horário para mandar o pedreiro começar a obra. Ontem, com aquele calor infernal, a Beatriz (e eu) foi dormir já eram quase duas da manhã. Hoje, fomos acordadas pela bateção sem fim, às sete. Desci para reclamar, com a cara de nenhum amigo que vocês podem imaginar, e encontrei outro vizinho na escada:

- Ah, pois é, eu também vou começar uma obra.

Não encontrei palavras para responder. Quer dizer, encontrei, mas elas eram contrárias à política da boa vizinhança.

Maus presságios - o fantasma da Portuguesa

Se tem uma coisa que combina com supertição é futebol. E, sabendo disso, eu deveria ter dado meia volta ainda no Anel Rodoviário. Isso porque no meio do engarrafamento para Atlético X Flamengo eu fui me lembrar de um outro engarrafamento, de 1996, a caminho de Atlético X Portuguesa pela semifinal do Brasileirão. Como qualquer torcedor que frequenta estádios, já peguei dúzias e dúzias de engarrafamentos na ida e na saída do Mineirão, mas, por algum motivo, eu fui me lembrar justo daquele maldito Atlético X Portuguesa que já estava enterrado na memória. E quanto mais eu via hordas de atleticanos seguindo para o Mineirão, quanto mais eu ouvia o hino do Galo nos carros vizinhos, mais eu me lembrava do engarrafamento a caminho do malfadado jogo com a Lusa.

Ai chegamos ao Mineirão e encontramos uma pessoa conhecida. E eu me lembrei que no desastroso jogo com a Portuguesa também encontramos alguém conhecido no meio de umas 70 mil pessoas e também pensei como é engraçado encontrar alguém no meio de tanta gente. (Como já disse algumas vezes, eu tenho memória de elefante, lembro de tudo, mas bem que podia ter esquecido esse cretino desse jogo com a Portuguesa.) Claro que já encontrei conhecidos em outros jogos, mas, não sei porque, foi justo essa partida que veio à cabeça quando vi alguém conhecido.

Então, entramos no Mineirão e veio o golpe de misericórdia. O lugar no estádio era o mesmo daquele fatídico jogo contra a Portuguesa. Dessa vez eu só podia me lembrar mesmo do jogo com a Portuguesa, porque eu só vou ao Mineirão de arquibancada, mas fui de cadeira especial ver a semifinal de 1996 porque foi o único ingresso que achamos. Ontem, repetimos a dose, porque ganhei o ingresso. Não vou dizer que era a mesma cadeira, mas foi exatamente daquele setor do estádio que eu vi, incrédula, o Alex Alves marcar o gol da Portuguesa e correr na minha direção para comemorar diante de um Mineirão sufocado pelo peso do silêncio de milhares de vozes.

O resto, os 3X1 de ontem, não preciso contar. As minhas lágrimas na saída do Mineirão também fizeram lembrar a volta para casa naquele jogo de péssima lembrança.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Eu e meus micos

Da série coisas que só acontecem comigo.

Fui ao hipermercado, "cortei" caminho pelos cabides de roupa, vi uma calça em promoção e resolvi experimentar. Fui ao provador, mas a calça ficou grande. Não tinha nenhum funcionário por perto e eu estava sozinha. O certo era tirar a calça, vestir a minha, ir até a arara, pegar o número menor, voltar ao provador e experimentar. Mas a preguiça falou mais alto. Olhei para os lados, estava tudo vazio, a arara era perto, e eu achei que a melhor solução era sair vestida com a calça grande (a do supermercado), deixar a minha pendurada no cabide, ir até a arara, pegar a menor e voltar ao provador, tudo bem rapidinho. Fiz isso, mas encontrei o provador fechado na volta.

Foi quando comecei a me lembrar do Fernando Sabino e de "O homem nu". E se algum funcionário tivesse entrado e recolhido a minha calça? E se a pessoa do provador misturasse a minha calça no meio de outras e sumisse com ela? Como eu sairia do supermercado com a calça deles sem acionar aquele apito? Eu poderia ir ao caixa vestida com a calça, entregar só a etiqueta, pagar, e não dar explicação nenhuma? Ou teria que procurar o gerente e explicar para ele que perdi a minha calça no hipermercado e peguei uma deles para vestir, mas que queria pagar tudo direitinho? E se ele resolvesse anunciar no sistema de som "quem encontrou uma calça jeans usada, favor devolver"?

Isso tudo passou pela minha cabeça nas duas horas e meia - na verdade três ou quatro minutos - que eu fiquei na porta do provador. A mulher que entrou depois de mim saiu, não disse nada, e deixou minha calça penduradinha do mesmo jeito que encontrou.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Retiro o que eu pensei em dizer

Em 31 de dezembro de 2008 o Chorik me deixou uma mensagem desejando feliz ano novo e, entre os bons votos para o ano, meu amigo sãopaulino escreveu "que o Galo seja vice-campeão brasileiro, atrás somente do heptacampeão" e deixou umas risadinhas. Não sei se era descrença na boa campanha do Galo ou no hepta do seu time ou se ele queria saber se a proposta ia me agradar. Escaldada pelo sofrimento de tantos anos, eu até achei a ideia razoável e pensei em responder "para mim, tudo bem, eu topo". Ainda bem que não cheguei a formalizar a aceitação da proposta, porque diante do cenário atual, eu desfaço o trato, nego o que disse e o que pensei em dizer. Sai da frente, São Paulo, sai da frente, Palmeiras, eu quero é gritar "é campeão", escutar o "Vou Festejar" da Beth Carvalho até o CD furar, cantar o hino do Galo até não aguentar mais e acabar com a minha voz berrando "Gaaaaaloooooo". Como já disse o Obama, Yes, we C.A.M!

A bola de vôlei e a educação financeira




Eu acho educação financeira tão importante, que devia ser matéria de escola. Muito mais útil para a vida do que um monte de fórmulas e nomes estranhos que decoramos para fazer prova e passar de ano e depois caem na vala do esquecimento.

Eu não aprendi na escola, mas aprendi em casa. Minha mãe sempre fez orçamento, controlou os gastos e nos ensinou a planejar para conseguir o que queríamos. E deu uma grande lição prática quando eu tinha uns 10 ou 12 anos e eu e minha irmã queríamos uma bola de vôlei oficial para levar para a escola. A bola era cara para as nossas posses, mas a gente queria. Em vez de correr a uma loja e parcelar a compra em mil vezes, fazer um empréstimo ou inventar que a bola tinha sumido do mercado, minha mãe optou pela educação financeira pelo exemplo. Criou um cofrinho e deu um prazo até o Dia das Crianças para que eu, minha irmã e ela, conjuntamente, fizéssemos algum sacrifício e juntássemos o dinheiro para comprar a bola.

Eu passei um bom tempo administrando a mesada para abastecer o cofrinho. O sacrifício foi recompensado com o presente que tanto queríamos e com uma liçã par ao resto da vida. Até hoje não sei quanto da bola saiu do cofrinho e quanto a minha mãe completou. Mas sei que desde então, aprendi que fazendo contas, sabendo quanto se ganha e se gasta (mesmo que seja da mesada), sabendo esperar e planejando as compras, a gente consegue muita coisa.


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A postagem faz parte da blogagem coletiva sobre educação financeira promovida pela Cybele Meyer.

domingo, 1 de novembro de 2009

A semana

Há muito tempo eu não tnha um espaço de sete dias tão movimentado como a semana que, para mim, se encerra hoje (nunca concordei com esse negócio de a semana terminar no sábado. Para mim, ela acaba junto com o fim de semana, no domingo, e começa junto com a volta ao trabalho, na segunda). Bom, mas vamos lá. A matéria sobre o Lucas continuou rendendo semana afora, o Ministério Público Federal abriu uma investigação, a Comissão de Valores Mobiliários deu início à análise de documentos,os leitores o localizaram em Tiradentes e eu fui rumo à cidade histórica assim, de sopetão, como não acontecia desde meados da minha gravidez, há uns dois anos, portanto.

Deixei Beatriz pela primeira vez por dois dias e baixei em Tiradentes, mas cheguei lá duas horas depois que ele tinha deixado a cidade. De toda forma, fiquei dois dias colhento informações e depoimentos preciosos, que renderam uma outra matéria já publicada e uma pauta para o futuro próximo. Para ir à Tiradentes, perdi uma passagem já comprada para São Paulo, para onde eu ia receber um prêmio. Eu não fui, mas o prêmio veio. Eu e a Queila ficamos em primeiro lugar no prêmio de reportagem da Associação Brasileira de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

A matéria premiada foi sobre um projeto do Senai, das construtoras e do governo federal para capacitar quem recebe bolsa-família para trabalhar na construção civil. Deu tão certo, que a primeira turma recebeu o diploma das mãos do presidente Lula e mais da metade do pessoal já saiu com emprego. O programa será estendido para outras cidades do país. Nós cobrimos todo o processo, desde a inscrição para as aulas, em fevereiro, até a assinatura da carteira de trabalho do pessoal, em agosto. Foi uma experiência ótima. Outra boa notícia foi que a minha matéria sobre a portabilidade de celulares venceu a segunda etapa do prêmio interno do jornal.

Para coroar tudo, hoje encontrei amigos queridos que não via há tempos e o Galo venceu o Goiás e está vivo na briga pelo título! Já estou até ensinando a Beatriz a gritar "é campeão". Tudo bem, eu sei que nessa mesma semana o Galo perdeu para o Fluminense, mas eu não podia querer tudo na vida, né?

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Burocracia

De vez em quando eu "bico" conversas dos outros. E dia desses ouvi um cara reclamando com o outro que o carro não foi aprovado no Detran (ou não passou numa blitz, coisa assim) porque a burocracia no Brasil é muito grande. Implicaram com o carro só porque o extintor de incêndio estava descarregado e não tinha cinto de segurança. Imagino que o "só por isso" deve ser porque depois de ver essas pequenas irregularidades logo de cara, o guarda (ou o cara do Detran) tenha desistido de verificar o resto.