Escritos ao Vento
Drummond, inspirador
"Não, meu coração não é maior que o mundo. É muito menor. Nele não cabem nem as minhas dores. Por isso gosto tanto de me contar. Por isso me dispo, por isso me grito, por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias: preciso de todos." (Carlos Drummond de Andrade)
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
A regra do Groupon é: eu posso mudar a regra
Num belo dia eu e Letícia Leticia Villas vimos uma oferta do Groupon com o seguinte título: "Cupom de R$ 60 de desconto no preço final de QUALQUER reserva pelo site Hotéis.com pagando apenas R$ 1". Compramos, lógico. Aí eu fui usar e deu erro. Liguei para o Hoteis.com e disseram que, no entendimento deles, o QUALQUER oferta era só acima de R$ 500. Procurei o Groupon que me deu respondeu que, pelo regulamento, eles podem mudar a regra a qualquer momento. Eis a resposta do Groupon: "O Hoteis.com reserva-se o direito de variar as condições de uso do código do groupon ou de retirar o código do voucher a qualquer momento. A decisão do Hoteis.com é definitiva em todas as questões relativas a esta promoção."
domingo, 29 de janeiro de 2012
Desejos...
Bastou a chuvinha de ontem para a Beatriz começar a arrumar a mala para ir para a praia. Ela sempre quer ir à praia. E eu me lembrei de que quando eu estava grávida ir para a praia foi o único desejo que eu tive, mas ninguém me levou a sério. Se eu tivesse pedido um suco de abóbora com jabuticaba num copo em forma de elefante feito pelo Ronaldo Fraga às 4 da manhã era capaz de sair um mutirão para encontrar. Mas ir à praia não está no manual dos desejos das grávidas e acharam que era brincadeira minha. E a Beatriz nasceu assim, com essa saudade do mar...
sábado, 28 de janeiro de 2012
Desculpa aí, Hemominas
Num belo sábado de plantão você resolve ajudar alguém e vai ao Hemominas doar sangue. Fica pelo menos meia hora dentro de um ônibus, porque não dá para voltar dirigindo depois de doar sangue. Chega lá às 11h e espera 40 minutos até conseguir fazer a ficha (dos seis guichês, só três funcionam. É sábado, né?). Espera mais 50 minutos até ser chamado pelo médico às 12h30. Passa para o exame de glicose, onde só tem um atendente, apesar de haver duas posições de atendimento. Pega outra fila básica até o lanche, que é obrigatório. Aí, já se passaram duas horas, mas você descobre que ainda tem mais 20 e poucas pessoas na sua frente para entrar na sala de doação e que deve levar mais uma hora até chegar a sua vez. Todos esperam aglomerados numa espécie de corredor, onde não há sequer cadeiras. E você, que já fez esse processo mais de 20 vezes nos últimos 15 anos, sabe que vai ficar mais uma meia hora na sala de doação. E ainda tem uma outra meia hora no ônibus de volta, fora o tempo de espera, o que totaliza umas quatro horas ou mais para doar meio litro de sangue.
Mas você sabe que vale a pena, apesar de tudo. E que o seu sangue é O negativo, o mais raro deles. Muita gente depende disso. Por isso, você se dispõe a passar por tudo isso, mas quer saber o que está acontecendo naquele dia, já que o atendimento está mais demorado do que o de costume. Então, você procura uma funcionária para perguntar qual o motivo de tanta demora. Para sua surpresa, ela desconsidera totalmente as duas horas que você está ali e responde: "demora? até que está bem rápido". Diante da sua surpresa com a resposta - e dos fatos - ela resolve dar outra explicação: "é que quando todo mundo resolve vir no mesmo dia, não tem outro jeito". Tudo isso com um ar meio irônico e um ou dois tons acima do recomendável para quem está lidando com o público.
Entendi, a culpa é minha e de todos os outros que estavam lá. Desculpa aí, moça. Desculpa por eu só poder doar sangue no sábado. Desculpa por eu ir junto com "todo mundo", apesar de não ter combinado com ninguém. Desculpa por eu não ter entendido que o atendimento é de 8h às 18h e isso quer dizer que você tem que ter esse horário todo disponível para ficar aí. Desculpa por eu ter ido em um dia de plantão meu e só ter 4 horas para ficar no Hemominas. Desculpa por eu achar que alguém que sai de casa para ser voluntário devia ser tratado com um pouquinho mais de consideração. Desculpa por eu ainda acreditar que existe cordialidade por aí.
PS: antes de ir embora, contei essa história para o médico e para a moça que faz o exame de glicose. Ambos foram muito gentis, se desculparam em nome da outra, e me aconselharam a formalizar uma reclamação, o que eu já fiz.
PS2: ainda essa semana volto lá para fazer minha doação. Quem precisa do sangue, não tem nada a ver com isso. E doar é um ato que me faz muito bem.
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Oportunidade!
Recebi a mensagem no celular ontem à noite: "para pagar seu IPVA a vista com desconto você pode contar com o crédito pessoal Itaucard em até 12X. Ligue para a central." Claro que eu liguei só para escrever esse post. E a imperdível proposta do banco é a seguinte: para garantir os 3% de desconto anual no IPVA a pessoa pega um empréstimo com taxa de 3,9% ao mês, mais IOF e taxas. Sem palavras. Nem o prêmio da MegaSena poderia ser tão bom pra mim.
Digamos que o IPVA seja de R$ 1.000. À vista, o valor cai para R$ 970 (é muita bondade do governo, não sei se mereo tanto.). Aí, para garantir os R$ 30 para o almoço de domingo, a pessoa pega R$ 1.000 no banco, paga o imposto e fica devendo 12 parcelas de R$ 106,07 mais R$ 18,26 de IOF, num total de R$ 1.291,10. E é pegar ou largar, porque "se a senhora ligar depois pode ser que o valor ou a taxa promocinal não estejam mais disponíveis", alertou a atendente.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Procura-se um governador
Um prédio desabou em BH hoje e matou uma pessoa. Tem outros ameaçando cair. Tem inundação praticamente todo dia. As ruas estão buraco puro. A luz cai a cada chuva e, em alguns casos, demora dias para voltar. É o pior período de chuva em cem anos. E nunca é demais perguntar (como fez Paulo Paiva no excelente texto abaixo e nesse blog aqui): Cadê o governador? Cadê o prefeito? Alguém já contou para suas majestades o que o povo está passando?
PS1: A tragédia de hoje só não foi maior porque a PM tirou onze moradores antes do desabamento.
PS2: O texto diz governador", mas, se trocar por "prefeito" o recado vale também para o mandatário de BH, sem acrescentar ou tirar uma vírgula. Anastasia e Marcio Lacerda podem se dar as mãos. Mas, certamente, farão isso bem longe da chuvarada que nos assola.
"PROCURA-SE UM GOVERNADOR
(Paulo Paiva)
Já são 44 cidades mineiras em estado de emergência devido às chuvas. Tem milhares de pessoas sem casa, sem água, sem comida e sem abrigo. E também sem solidariedade e ajuda do Estado.
Alguém viu o governador Antonio Anastasia por aí esses dias? Se o virem, digam que Minas está sofrendo com as chuvas. Que cidades estão alagadas. Que pessoas estão sem lar e sem alimento.
Digam a ele essas coisas são chatas, desagradáveis, mas infelizmente o povo gosta de ver seu governador levando solidariedade e tomando providências para resgatar a cidadania debaixo da água.
Digam a ele que o povo mineiro não quer atrapalhar suas festas de fim de ano nem suas férias. Quer apenas uma palavra de apoio do poder público, a quem paga impostos e para quem o governo deveria trabalhar.
Digam a ele que, sim, ele sempre fica elegante de terno e gravata, mas às vezes as pessoas (ah, como esse tal de povo é chato) gostam de ver uma liderança política enfiar o pé na lama (a real, não a da corrupção) e sujar a camisa para ver de perto o sofrimento delas.
Digam a ele que dessa forma, sem mostrar a cara, as pessoas podem realmente começar a achar que seu partido, o PSDB, não gosta do povo. E o povo pode não gostar mais do PSDB.
Digam a ele que a Cidade Administrativa e o Palácio Tiradentes são de fato lindos, mas os mineiros que estão sofrendo não estão lá.
Digam a ele que, mesmo sem saber, ele pode estar criando um vácuo político em Minas Gerais. E não há vácuo na política. Quando uma liderança some, outra aparece para ocupar o lugar.
Digam que... ah, deixa pra lá. Acho que ninguém vai encontrá-lo mesmo.
Alguém viu o governador Antonio Anastasia por aí esses dias? Se o virem, digam que Minas está sofrendo com as chuvas. Que cidades estão alagadas. Que pessoas estão sem lar e sem alimento.
Digam a ele essas coisas são chatas, desagradáveis, mas infelizmente o povo gosta de ver seu governador levando solidariedade e tomando providências para resgatar a cidadania debaixo da água.
Digam a ele que o povo mineiro não quer atrapalhar suas festas de fim de ano nem suas férias. Quer apenas uma palavra de apoio do poder público, a quem paga impostos e para quem o governo deveria trabalhar.
Digam a ele que, sim, ele sempre fica elegante de terno e gravata, mas às vezes as pessoas (ah, como esse tal de povo é chato) gostam de ver uma liderança política enfiar o pé na lama (a real, não a da corrupção) e sujar a camisa para ver de perto o sofrimento delas.
Digam a ele que dessa forma, sem mostrar a cara, as pessoas podem realmente começar a achar que seu partido, o PSDB, não gosta do povo. E o povo pode não gostar mais do PSDB.
Digam a ele que a Cidade Administrativa e o Palácio Tiradentes são de fato lindos, mas os mineiros que estão sofrendo não estão lá.
Digam a ele que, mesmo sem saber, ele pode estar criando um vácuo político em Minas Gerais. E não há vácuo na política. Quando uma liderança some, outra aparece para ocupar o lugar.
Digam que... ah, deixa pra lá. Acho que ninguém vai encontrá-lo mesmo.
Feliz 2012, governador Antonio Anastasia. Um abraço do povo mineiro. "
sábado, 31 de dezembro de 2011
Fica, 2011, vai ter bolo
Há muito tempo aprendi que ano novo não é tempo de pedir. Apesar das inúmeras listas com as metas para os próximos meses e dos incontáveis desejos e esperanças depositados nos 366 dias vindouros, a hora é de agradecer. Mesmo nos anos difíceis, há o que se agradecer. Nem que seja por ter chegado ao fim. Não foi o caso de 2011. Minha vontade é pedir "fica, vai ter bolo". Mas, melhor não. Vai que 2012 se melindra e já chega de má vontade comigo. Melhor mesmo é deixar que 2011 se despeça deixando as lembranças do grande ano que foi. E reunir energias boas, pensamentos positivos e gente querida para festejar a chegada do novo ano. Que venha com tudo, 2012! Estou com o coração aberto para te receber.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Retrospectiva (3) - 2011, quem irrita
A lista de quem mais me irritou em 2011 é bem equilibrada, com representantes do setor público, do mercado financeiro e do varejo.
Troféu Indigestão:
Super Nosso, o supermercado que não tem pão de queijo. Não precisaria acrescentar uma linha a essa primeira frase, mas vou me estender um pouco. É o supermercado mais perto da minha casa. Era muito bom e foi piorando, piorando, piorando, até chegar ao ponto de não ter pão de queijo, Coca-cola, presunto, suco de uva. Sem contar o atendimento péssimo e os preços nas alturas.
Troféu Fica Calado:
Tim, a operadora que não te deixa falar. A ideia é ótima: você paga R$ 0,25 por chamada e fala o quanto quiser. Mas alguém da operadora teve a ideia de contratar um derrubador de chamadas, que interrompe as ligações a cada cinco ou dez minutos. Sem contar que completar uma ligação é praticamente uma roleta-russa: uma certa a cada três ou quatro tentativas. Fora outros problemas, como cobranças indevidas, ligações que ficam mudas, mensagens inconvenientes no meio da madrugada e uma infeliz que me ligou num domingo às 8 da manhã para responder a uma reclamação minha e disse que isso tudo só acontece porque o problema é do aparelho. Um aparelho chamado torre da operadora, pode ser?
Troféu Vamos passar raiva juntos?
Santander, o banco do juntos. Junta tudo e joga fora. Um case de sucesso de como pegar algo que funciona, no caso, o Banco Real, e transformar num lixo. Atendimento na agência, no site, por telefone, no caixa eletrônico, nada funciona. O ponto alto foi o dia que a funcionária da agência pediu que eu esperasse meia hora para usar o terminal porque ele estava muito quente e foi desligado para esfriar (ou não explodir). É muita tecnologia, junta, gente.
Troféu Não para de irritar
No rádio e na TV a Prefeitura de Belo Horizonte perturbou o ano inteiro com a musiquinha: "não para de trabalhaaaaaar", mas o que eles fizeram mesmo foi irritar o ano inteiro, para fizer o mínimo. A cidade está suja, mal cuidada, cheia de buraco, Arrudas transbordando, tem uma lei ridícula que só permite o uso de sacolas compostável, apesar de não ter (nem em projeto) nenhuma usina de compostável, o IPTU está nas alturas, a decoração de Natal está pavorosa, precisar do serviço de uma das regionais é pedir para passar raiva, o Orçamento Participativo só existe no papel e o prefeito não dá as caras nunca para explicar nenhum desses absurdos.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Retrospectiva (2) - 2011, o ano das surpresas
Logo em janeiro, a primeira das surpresas de 2011: folga no Carnaval. Quem lê esse blog há algum tempo sabe que o Carnaval é uma festa móvel que se move para o meu plantão. Desde 2003. Mas não em 2011. Logo que saiu a escala, me empolguei: Rio de Janeiro para quê te quero. A escala saiu numa segunda e na quinta eu já estava com tudo pronto e reservado para realizar o sonho de desfilar na Mangueira. E, para todo mundo que faz a piada pronta, eu digo: é muito bom quando a Mangueira entra. E fiz meu Carnaval, não havia na avenida alguém mais feliz do que eu.
Se fosse só isso, já estava bom. Mas 2011 trouxe também outras viagens inesperadas e surpreendentes: uns dias em Ilhéus graças a uma promoção com passagens da Gol a R$ 50, alguns fins de semana em hotéis fazenda garimpados no Peixe Urbano, uma viagem a trabalho ao Uruguai, com algum tempo para conhecer Punta del Este, o Conrad e o doce de leite, e, por fim, uma folga inédita de uma semana no fim do ano que nos levou ao Natal Luz de Gramado.
E ainda teve show do Chico. E um encontro inesquecível com o Maurício de Sousa. Só faltou o Galo dar uma ajudinha, mas nada pode ser perfeito, né.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Retrospectiva - 2011, o ano em que o Facebook me roubou do blog
Em 1º de janeiro fui, provavelmente, a penúltima pessoa do meu círculo a aderir ao Facebook (a última foi a minha amiga Isis). Vencida a resistência inicial, a criação do Zuckerberg me conquistou de ver - e me roubou do blog, coisa que nem o Twitter tinha conseguido. Não que seja impossível manter um blog e um Facebook, além de um Twitter pessoal, um profissional, um de promonauta, três e-mails... o negócio é que ainda tem que sobrar tempo para fazer o social fora das redes, para trabalhar, cozinhar, abastecer o carro, ir ao banco, passar na academia, no salão. E nessa disputa feroz por cada momento, o blog acabou perdendo bastante. É mais fácil facebucar do celular do que blogar. E a interação no Face é mais rápida. Esses são os dois X da questão. Mas isso não quer dizer que vou deixar o blog. Sinto saudades dele e, principalmente, de um monte de gente que só "vejo" por aqui. Continuarei blogando, caminhando e cantando.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Gramado, Beatriz e Cascão
Passamos a semana em Gramado (RS), com a ilustre companhia do Cascão, o que nos rendeu momentos engraçadíssimos.
Em casa:
Beatriz pasou a semana toda falando que o Cascão não ia. Eu estava quase acreditando (e pensando como ia ser estranho viajar sem ele pela primeira vez). Na hora de sair, ela foi ao quarto e o pegou:
- Vem, meu filho.
- Mas você não falou que ele não ia?
- É que eu queria fazer uma surpresa pra ele!
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No aeroporto:
Cascão é uma pessoa, mas nem tanto, logo, tem que passar pelo raio-X. E a Beatriz quase entrou dentro da esteira atrás dele. O desespero foi tanto, que o policial apareceu para acalmá-la: "seu boneco já vai sair". Quando o Cascão apareceu, ela o pegou, olhou para o fiscal e falou bem brava: "isso não teve graça nenhuma!!!!"
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Com Papai Noel
Ela escreveu uma carta para o Papai Noel há um tempão: "a Beatriz quer o que você quiser mandar e o Cascão quer um carrinho de corrida vermelho." Mas parece que o bom velhinho não leu direito e, quando se encontraram, ele disse que vai trazer um chuveiro para o Cascão. Ela está seriamente preocupada. "Esse Papai Noel cabeça maluca não sabe que meu filho não toma banho????"
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