Fui ao correio postar uma matéria para ser inscrita em um prêmio. Como sempre, aos 48 do segundo tempo. Eu sei que o prazo de inscrição durou dois meses, mas o último dia existe para ser usado. Mas, além do último dia, fui também na última hora. Já que é para honrar a fama nacional, vamos fazer direito. Logo, o atendente disse que a carta só ia sair da agência na segunda-feira.
- Mas você carimba com a data de hoje?
- Carimbo.
- Tem certeza? É que eu preciso muito que a data esteja aí.
- Carimbo, sim.
Aí ele pesou a carta, registrou, colou aqueles adesivos com código de barras e nada do carimbo.
- Moço, você vai carimbar, né?
- Vou.
Aí ele cobrou, me entregou o recibo, pegou o dinheiro, devolveu o troco, e nada de carimbar.
- Ô moço, você vai carimbar a data?
- Vou sim.
E jogou a carta em um caixote. Eu fiquei olhando, meio indecisa, mas resolvi assumir logo que sou uma mala.
- Ô moço, eu sei que você não vai esquecer de carimbar a data, mas é que eu preciso muito, e vai que você troca de turno e algum colega acha que pode carimbar na segunda-feira... Você se importa de carimbar agora, só para eu ficar mais tranquila?
Ele deu um suspiro, pegou o envelope no caixote, e finalmente carimbou.
Saí da agência aliviada, mas quando ia entrar no carro, me deu um "clic". O moço ficou até pálido quando me viu entrando de novo.
- Ô moço, sabe aquele envelope? Você pode pegar para mim de novo? É que eu esqueci uma coisinha...
Não deu outra. A ficha de inscrição estava completamente em branco lá dentro.